África do Sul: gastronomia, história e semelhanças com o Brasil

Muito mais do que uma viagem cultural às raízes da humanidade, o continente africano oferece uma imensa variedade de pratos e especiarias, sobretudo na África do Sul, cuja gastronomia teve forte influência dos colonizadores ingleses, holandeses e franceses, além da rica culinária indiana. Alguns de seus pratos típicos, como o bobotie e o koeksister, tornaram-se símbolos regionais com o fim do Apartheid, o maior regime de segregação racial da história, prostrado há 20 anos.

O livro Fome de Liberdade: A História da Comida na Vida de Nelson Mandela, escrito pela britânica Anna Trapido, conta que o bobotie, um cozido de carne moída com base de pão, leite e nozes,era o preferido do ex-presidente quando retornava de suas viagens internacionais. Já o koeksister tem uma história emblemática que o transformou em símbolo de humildade e tolerância ao selar a reconciliação com a viúva do maior entusiasta daquele regime racista. Quando tomou posse da presidência da República em 1994, Mandela e a viúva dividiram uma generosa porção do petisco doce, que para o paladar brasileiro se assemelha aos famosos bolinhos de chuva que qualquer vovó sabepreparar. Como curiosidade, a primeira refeição de Nelson Mandela ao deixar a prisão depois de quase 30 anos recluso foi uma pratada de frango ao curry. A sobremesa, uma taça de sorvete de passas ao rum.

Histórias à parte, o turista que for à África do Sul em junho para assistir à Copa do Mundo não pode deixar de provar dessas iguarias. O site do consulado da República da África do Sul no Brasil (www.africadosul.org.br) apresenta uma série de dicas úteis, desde hospedagem e gastronomia até onde fazer os melhores safáris e compras. Porém, não é só de carnes vermelhas, bolinhos fritos e curry que sobrevive a culinária sul africana. Grilo frito, porco selvagem, antílopes e avestruzes fazem parte de uma cozinha um tanto quanto exótica. Pratos condimentados, frutos do mar, tortas e pudins também estão nos cardápios dos restaurantes, assim como receitas com as quais os brasileiros se identificamfacilmente: dobradinha, milho cozido, rabada, arroz colorido e churrasco. Sim, eles entendem de churrasco e por lá se chama Braai. O Boerewors, lingüiça típica dos fazendeiros, até hoje é preparada artesanalmente pelas famílias e garante a satisfação de quem experimenta o preparado de carne de porco, boi, coentro e noz moscada. O sul africano não dispensa também o que eles chamam de papa, um pirão de farinha de milho que acompanha a maioria dos pratos quentes.

A África do Sul, assim como a maioria dos países subdesenvolvidos, tem grande parte da suapopulação vivendo no campo. Após o trabalho na lavoura, a principal refeição do dia geralmente é um prato de arroz ou massa de batata, milho ou inhame, dividida criteriosamente entre os membros da família, degustada com as mãos. Teoricamente, o pai tem direito ao melhor e maior pedaço. As crianças ficam com os restos. Segundo os agricultores africanos, enquanto elas brincam nas lavouras vão comendo frutos que encontram e até mesmo pequenas aves. A fonte de proteína para o morador do campo provém, basicamente, dos peixes, carnes secas, vegetais, nozes e do feijão. Ao contrário do que se pode pensar, o agricultor sul africano não come com tanta freqüência a carne dos animais que possui. Eles abatem os bichinhos, principalmente as aves, apenas para comemorações especiais ou encontros entre famílias.

E para beber? Uma das maiores contribuições que a colonização francesa concedeu à África do Sul foi a implantação e manutenção de vinhedos, os quais tiveram ótima adaptação ao climasubtropical de algumas regiões do país. Atualmente, os vinhos sul africanos são extremamente bem avaliados em todo mundo e o preço de uma garrafa pode chegar a valores exorbitantes. Porém, ainda não foi produzido um vinho sul africano que possa competir de igual para igual com o poder e a mística da Amarula, bebida doce, semelhante a um licor, produzida a partir do fruto da marula, uma árvore de tronco acinzentado, endêmica daquela região da África e que é exportada para todos os continentes do planeta.

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