A visão (do fundo do coração) de uma brasileira sobre a África do Sul

Por acaso foi minha ida àquele continente. Descobri logo de cara que o Brasil tem um irmão de mesma mãe lá naquelas bandas do mediterrâneo. Irmão de sangue e mais velho, cheio de tradições, costumes e história. No caso, África do Sul e Brasil. O Brasil é o teenager, aquele irmão  moderninho e a África do Sul o irmão mais experiente, que passou por poucas e boas e aprende, dia a dia, a contornar os problemas mais severos pelos quais uma nação pode passar. E eles não fazem menção disso, ficam ali na humildade, mantendo forte suas tradições e acolhendo os filhos de pátrias outrora mais selvagens.

Aquele estereótipo de país perigoso não faz sentido. As crianças são articuladas e gostam de ler. Na África do Sul elas vão de uniforme formal à escola. Garotos de gravata e suéter, meninas de saia e camisa. Das 9h às 15h elas estudam, entre outras matérias, línguas estrangeiras e também seus próprios dialetos. As pessoas respeitam as regras básicas: obedecem às filas, às regras de trânsito, ao lanche que você guarda na geladeira do escritório. Lá não encontrei o “jeitinho brasileiro” de resolver as coisas. Eles têm campanhas muito fortes de economia de água e não deixam, por exemplo, o chuveiro ligado enquanto lavam a louça. É cultural, um ótimo costume. Nas ruas, mão inglesa, carros (muito) velhos e motoristas descuidados.

Fui para a África do Sul para descarregar as emoções. Queria viver uma aventura. Queria conhecer um país exótico e moderno ao mesmo tempo, queria fugir do lugar comum. Na época os jovens estavam mais interessados nos encantos Nova Zelândia e eu comprei o ticket para África do Sul porque lá tinha tudo que eu queria naquele momento. Esportes radicais, belíssimas praias, montanhas, bichos eblack culture. A primeira impressão foi de cair o queixo, mesmo! Eu me apaixonei platonicamente por aquele país.

Descobri um bocado de comidinhas diferentes. Logo no meu primeiro jantar conheci oOstrich, carne de avestruz, muito comum por lá, com textura de filé mignon e gosto semelhante ao frango. As misturas são muito interessantes. Nas lanchonetes tem um sanduíche que se chama ChikenAvo, que é feito com peito de frango e abacate, com queijo e salada. Pode parecer estranho, mas é muito gostoso. Eles também comem abacaxi acompanhando carnes e em vários sabores de pizza. As castanhas, nozes e frutas secas estão sempre nos pratos, escancarando a influência indiana na gastronomia. Tem arroz com curry e as samosas, um tipo de sfiha. Tudo é muito temperado e colorido, até nos restaurantesfast food. O americano Kentuch Fried Chicken, por exemplo, tem o seu cardápio adaptado com Peri-PeriChicken Livers, fígado de frango com molho apimentado. O biltong, tirinhas de carne seca com vários sabores, é encontrado em qualquer loja de conveniência e acredito que seja uma das “comidinhas” preferidas dos sul-africanos.

Depois de me enturmar com a galera local fomos fazer um churrasco, que lá é chamadoBraai. O Braai é como o barbecue americano: uma churrasqueira portátil, onde é assada a tradicionalBoerewors com pedaços de frango. Para acompanhar o Braii, whisky com água ou coca-cola. A cerveja não é a bebida principal e é servida em temperatura ambiente. Não é fácil encontrar uma cerveja leve, elas são muitíssimo encorpadas, cheias de cevada.

A África do Sul é muito famosa pelos vinhos de alta qualidade. Em Stellenbosch, região metropolitana de Cape Town, está a mais antiga rota do vinho do país, com lindíssimas paisagens que nos fazem lembrar pequenas cidades da Europa: estradas curvilíneas de mão única com casinhas de pedra e imensos parreirais. Eu fecho os olhos e me vejo escutando um Kwaito (música típica sul-africana), tomando uma Savana Dry em um Braai no fim de tarde de domingo em Camps Bay. Nada mais sul africano do que isso! Fiquei lá por dois anos. As experiências estão guardados comigo, sempre prontas para virem à tona.

* Cris Armstrong é administradora de empresas, tradutora, intérprete e viajante do mundo. E-mail para contato:quizzi@hotmail.com

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